Sensibilidade e poesia na contramão do lugar-comum.

Vã poesia

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Houve quem lhe dissesse que é vã poesia quem disse foi ela falando de si no dia em que aos olhos a rima corria vazando em versos o pranto que vi *  E então ela ia entre motes diversos e se embebia em saraus de improviso e ali pareceu que havia motivo não era inútil rimar o universo * Compôs a razão com o que ...

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Lugar-comum

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Lá fora onde estive havia de tudo Eu via o mundo cabendo em mim E vinha ao sim até o que não era Quem dera a viagem não tivesse fim Nas voltas, mil rotas de sonhos De todos eu penso que trouxe nenhum Enredos de contos fadados ao nada E aqui eu de volta ao meu lugar-comum.

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SEJA, mesmo que seque FLUA, mesmo que estanque NUA, intérmino arremate CRUA, mudança constante

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Não amola

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Sapato novo? Gasta a sola Visita antiga? Não faz sala Virou rotina? Faz a mala O corte é cego? Não amola.

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Eco no oco

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Eu vejo razão no buraco dos peitos. Onde estão os corações? Eu ouço silêncio ecoando nos becos. Onde andam as canções? * Eu vejo doença na gente que passa planos, panos, casca, casca, casca miolo ferido tapado, argamassa * E pra ver todo o oco na desembalagem bastava chover em torrentes de vida Quem sabe dali ver nascer a verdade num desexistir que prospera a ferida * Desisto, desistem, ...

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A cura

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Houvesse analgesia pra alma e eu sanava esse tormento Houvesse transplante de amores e eu lhes dava endereço certo Houvesse fios de razão e eu amarrava em firme sutura Houvesse nenhum coração e eu encontrava, enfim, a cura. | (Illustration by Katerina Eremeeva)

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Barulho de mar calado nas bocas vento em popa lambendo as areias parece que o tempo perdido vagueia fazendo calor com sol de outro dia * Parece que que o centro da gente já dança passeia pra fora da nossa agonia e os pés vêm descalços de toda lembrança segundo do agora que sempre seria * Maré alta em baixa estação das andanças. Faz tempo, faz ...

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Que é que ainda é que esqueceu que já era? Quimera. Que espera? Cai fora.

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Berro

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Eu erro o tempo e o vento é o meu berro Eu uivo intento de me contentar com tanto É verso mudo o meu compasso lento Tem ventania no meu passo lerdo * Eu erro o passo e o tempo vê sisudo Ter paciência em ponteiros de ferro?! Quiseras tu que fosse eu o teu alento? Cobrando em horas sou o teu inferno! *

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Infinito Agora

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Leve talhado em nuvem enredo breve nas reticências tem sono e sede e medo é cedo pra pôr do avesso * C(h)ora a carne viva morta de fome mas não tem nome o que se passa é pressa é pulso não mais disfarça * Pensa doar-se ao vento deixar-se ir naqueles braços e abraça o espaço e a leva o tempo sem mais demora ponteiro lento infinito agora.

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